Nós estávamos visitando Westport, uma cidade na borda do Atlântico do Co Mayo. Esta cidade é bem conhecida pelos Dubliners, quando saem da cidade para um fim de semana diferente.

“Westport irrita outras cidades de Mayo”, o barman do Jumpin’ Jacks Whiskey Café nos conta enquanto esperamos que ele pegue a nossa conta, “… eles nos odeiam!”. O Whiskey Café é uma nova adição em Westport. É um bar projetado para imitar um clube de Nova Yorque da década de 1930. Nós fomos aconselhados a conhecer este lugar pela nossa anfitriã do Airbnb, e foi uma boa pedida. Menor e mais claro do que o Liquor Rooms em Dublin e muito mais descontraído do que o Vintage Cocktail Club no Temple Bar, este é um bom ponto de partida para começar a noite.

Eu bebi um copo de Warre’s Otima Port (€7). Estava excelente. Eloiza, a brasileira da minha vida, experimentou um dos coquetéis que o local criou; ‘Fall for Daquari’ (€10) – rum, suco de abacaxi com um toque de licor de canela e bitters. Delicioso.

“Por que eles te odeiam?”, eu perguntei. Mas eu sabia a resposta. Mayo é um dos condados mais pobres da Irlanda, com uma longa história de emigração em busca de trabalho, enquanto Westport é uma das cidades mais ricas do país. É uma cidade que as pessoas vem visitar, em um condado onde historicamente as pessoas nascem para deixar. Isso cria um tipo de ressentimento sobre a cidade nas outras partes de Mayo. O barman me deu essa resposta, mais ou menos isso, e depois nos deu uma escolha de seus restaurantes favoritos na cidade.

An Port Mór é o melhor da cidade para se comer frutos do mar, ele nos disse, mas Cian’s na Bridge Street é atualmente o mais popular de todos. Enquanto eu gostava do som de um bom restaurante de frutos do mar bem ali em uma cidade olhando diretamente para o Oceano Atlântico, escolhemos o Cian’s. Meu nome é Cian. Parecia um bom presságio!

Cian’s é um restaurante que parece elegante e confiante no que faz olhando de lado de fora. Grandes janelas que permitem que você olhe para as mesas e cadeiras de madeira, arte moderna nas paredes e iluminação moderna descendo do teto sobre as mesas. Parecia um lugar que especialistas em comida iriam, me senti um pouco intimidado. Os funcionários eliminaram este sentimento logo que entramos. Eles foram calorosos e acolhedores.

Westport é calmo em janeiro, então nós não reservamos uma mesa e nós também chegamos depois das 9pm em uma noitede sábado, que às vezes pode ser muito tarde na Irlanda. Mas não houve problemas – “sente-se aqui, claro que a cozinha está aberta!”. Os menus nos foram dados, novamente com um design moderno, com apenas algumas opções para cada course. Um lugar que acreditava na qualidade em vez da quantidade, eu esperava.

Nós pedimos algumas bebidas, Cian’s tinha uma seleção de cervejas que incluía cerveja artesanal local. Eu pedi a local blonde beer – suavemente aromatizado e não agressivamente gaseificada – perfeito. Elo pediu prosecco que era seco, mas fresco, ela gostou. Pão chegou, localmente feito, o garçom nos informou que era a combinação perfeita com a manteiga de pele de frango, também deixada. Um toque legal, mas eu não pude sentir a diferença.

Para entradas nós pedimos Scallops e Pork Belly com um ketchup de maçã; e Chowder de peixe. Os scallops foram cozidos perfeitamente – cremoso não muito gelatinoso na consistência. A barriga de porco veio em pequenos cubos, crocante, pareciam quase fritos demais do lado de fora. Eu me preocupei que tínhamos chego tarde demais e isso era um sinal de comida não preparada na hora… Eu estava errado. Estava delicioso – crocante por fora, mas macio por dentro. Mergulhado no ketchup de maçã, com um pedaço de scallop foi maravilhoso.

O chowder estava muito bem preparado. É um prato difícil de se errar feio, na minha opinião, mas o peixe estava bem cozido e tinha uma variedade significativa de frutos do mar, junto com uma adorável consistência cremosa à sopa. Um chowder bem feito.

Para prato principal nós pedimos pescada com chouriço e legumes no vapor; e um quilo de mariscos cozidos em um molho francês clássico para mariscos – creme, cebola, vinho branco.

A grande tigela de mariscos chegou e foi uma novidade em relação a quantidade, como um desses desafio de comida que você vê na tv. Mas funcionou. O molho estava aguado em vez de cremoso, mas complementado com o sabor do sal do mar dos mariscos. E a natureza dos mariscos, pequeno o suficiente para deixar você querendo mais a cada vez, criou uma agradável experiência de se comer um quilo! Fiquei surpreendentemente satisfeito depois.

A pescada, um peixe branco, tinha um sabor suave – quase sem gosto – que funcionou bem com o sabor forte do chouriço. Este era um prato onde o peixe fornecia mais a sensação de comer em vez de sabor, quando combinado com o acompanhamento (chouriço). Foi cozido perfeitamente bem.

Sobremesa, eu sempre peço sobremesa, era um pannacotta de chocolate branco e coco. Decidimos dividir e pedir um vinho de sobremesa para acompanhar. Eles tinham o que parecia uma escolha extremamente interessante – um vinho de sobremesa Búlgaro. Eu já tinha provado um vinho de sobremesa ‘Tokaji’ húngaro – o melado, o tesouro dourado que é dito ser a razão pela qual os Romanos invadiram a Hungria e que um Czar Russo ordenasse milhares de soldados para proteger os vinhedos que produziu o vinho muitos séculos depois (essa bebida maravilhosa pode, às vezes, ser encontrada barata no Aldi) – mas nunca uma versão Búlgara.

Infelizmente, eles não tinham mais, mas nos deram um coquetel de prosecco e suco de maracujá como pedido de desculpas. Assim nós desfrutamos a grande porção de pannacotta, que estava também bem equilibrada (cremosa, doce), embora tenha perdido a forma rapidamente, enquanto bebíamos o coquetel, antes de partir na noite fria de Westport para pedir uma pint em um de seus muitos bares